Irã pode acumular bitcoins com pedágio de navios petroleiros
Fontes apontam que o Irã está adotando uma prática interessante: está solicitando pagamentos em criptomoedas para permitir a passagem de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A Bloomberg informou que essas taxas estão sendo cobradas em stablecoins, como USDT e USDC, ou até mesmo em yuan. Mais recentemente, o Financial Times revelou que agora o pagamento também pode ser feito em Bitcoin.
Essa mudança não passou despercebida pela comunidade cripto. Muitos começaram a calcular o quanto o Irã poderia acumular em Bitcoin anualmente com esse novo sistema.
Irã cobra pedágio de navios em Bitcoin
De acordo com as informações da Bloomberg e do FT, o Irã está pedindo US$ 1 para cada barril de petróleo que passa pelo estreito. Sabendo que um petroleiro grande pode transportar até 2 milhões de barris, e considerando o fluxo diário de cerca de 130 navios, isso resulta em impressionantes US$ 260 milhões diariamente em taxas.
Hamid Hosseini, porta-voz do Sindicato dos Exportadores de Produtos de Petróleo, Gás e Petroquímica do Irã, ressaltou que, assim que um e-mail chega, as embarcações têm poucos segundos para realizar o pagamento em Bitcoin. Essa rapidez ajuda a garantir que as transações não possam ser rastreadas ou confiscadas devido às sanções.
Calculando a quantidade, um perfil chamado Wise Advice estimou que o Irã poderia estar ganhando até 3.611 bitcoins por dia com esse sistema de pedágio. Se considerarmos o valor atual do Bitcoin, isso pode traduzir em cerca de 1,3 milhão de bitcoins por ano.
Para se ter uma ideia, a empresa Strategy possui 766 mil bitcoins, enquanto o ETF da BlackRock tem 783 mil, e o governo dos EUA detém 328 mil. Ou seja, o que o Irã acumularia anualmente é impressionante.
Um impacto econômico significativo
Um ponto interessante levantado por especialistas é que a rede do Bitcoin consegue minerar cerca de 450 BTC por dia. Isso significa que o Irã estaria acumulando, por meio desse pedágio, oito vezes a oferta mensal de mineração de Bitcoin, repetindo isso todos os meses. Muitos veem essa estratégia como uma forma revolucionária de um país sob sanções construir sua reserva em criptomoedas.
Nick Szabo, o criador do bitgold, comentou sobre esse movimento, afirmando que o Irã não consegue mais ser efetivamente sancionado da mesma forma. Ele sugere que o que está acontecendo vai além de simplesmente driblar restrições; trata-se de criar um sistema financeiro paralelo.
Além disso, há relatos de que o Irã começou a minerar Bitcoin em 2019, convertendo sua energia barata em um ativo internacional. Somente a IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica) teria se envolvido em atividades de criptomoeda que geraram mais de US$ 3 bilhões em 2025.
Bitcoin e a adoção global
Esse cenário do Irã não é único. Outros países têm explorado o potencial do Bitcoin e das criptomoedas nos últimos tempos. Desde que a criptomoeda começou a ser adotada pelo varejo e, mais recentemente, por instituições financeiras, muitos se perguntam se estamos diante de uma nova fase: a adoção por nações.
El Salvador se destacou ao adotar o Bitcoin como moeda oficial em 2021, e o Butão também surpreendeu ao minerar a criptomoeda em segredo, anunciando uma cidade que será financiada com esses bitcoins. A Ucrânia recebeu generosas doações em criptomoedas para ajudar no combate à Rússia, enquanto os EUA utilizaram moedas apreendidas para formar suas próprias reservas.
Com esses exemplos, fica claro que o Bitcoin está se firmando como uma expressão de inovação e resistência econômica em várias partes do mundo.





